quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Primeiras duas semanas de paciência

Duas semanas passaram na nova montagem que ocupa a minha sala de entrada, e o nome que lhe atribui parece ser realmente o mais adequado: Éfeso, o símbolo apocalíptico da paciência, paciência que penso ser a chave para levar esta montagem a bom porto. O crescimento das plantas é muito lento, especialmente por ainda não ter iniciado a adição de CO2 e por estar a aplicar um fotoperiodo muito curto, de 6 horas diárias apenas, com o objectivo de não permitir o aparecimento de algas enquanto as plantas ainda se encontravam em fase de adaptação e criação de raízes.




Agora que já verifico algum crescimento, com foco particular para os musgos que pareciam adormecidos até agora, mas que em poucos dias geraram muitas folhas novas, irei expandir gradualmente o fotoperiodo até às 8h diárias, e começarei a adicionar CO2. Numa fase mais tardia talvez expanda o fotoperiodo até as 10h, dependendo do comportamento que verificar nas plantas.

Há cerca de uma semana que tenho sofrido um problema no aquário, muito comum em novas montagens e que tem o aspecto de uma camada de óleo à superfície, mas que é na realidade constituída por uma quantidade imensa de microorganismos. Um facto curioso é que os camarões, tanto red como stripes, têm trepado pelo tronco mais alto do layout e se fixado no seu topo a alimentar-se dessa camada de óleo.




Face à persistência desta camada superficial, decidi realizar os primeiros testes ao aquário:

pH - 6,5
NO3 - 5 mg/L
PO4 - 0,5 mg/L

Perante estes valores, conclui que não há razão para estar preocupado. Embora seja esteticamente pouco agradável, esta camada de superfície fornece algum alimento vivo para os habitantes do aquário. Por agora a única medida que tomei, foi uma ligeira TPA de 10L e elevar o inflow do filtro externo de modo a criar maior agitação na superfície e contrariando assim o principal efeito negativo desta camada: a redução das trocas gasosas entre o aquário e o ambiente externo.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Aquascaping VS NonScaping

Sendo frequentador assíduo de vários foruns de aquariofilia e desempenhando funções de moderação em dois deles já vi várias discussões sobre este assunto. Trata-se um tema quente, debatido mais com o coração do que com a razão. No entanto antes da inevitável intervenção da moderação dos diferentes foruns, ainda consegui reter alguns pontos que constituem o cerne da defesa de cada parte.

O NonScaping

Os seus defensores afirmam a naturalidade total do aquário. A decoração deve ser sobria e não se apresenta como um ponto importante, tendo especialmente o objectivo de fornecer abrigos para os peixes e outros habitantes do aquário. Plantas podem ou não fazer parte do aquário, mas a existirem serão as de menor manutenção possível, tendo como objectivo tornar o aquário mais confortável para os habitantes. A fertilização das plantas é conseguida através da comida e excreções dos habitantes do aquário, sendo que a adição de CO2 não deve sequer ser considerada. A iluminação é escolhida de modo a apenas tornar os habitantes do aquário visíveis sem os incomodar. Os peixes apresentam-se como o principal elemento decorativo do aquário, e todo o aquário é montado em volta deles.
Ainda segundo esta maneira de estar na aquariofilia, um aquário deve apresentar-se montado durante anos, de modo a criar o máximo de vida no seu interior.
Algumas incongruencias correspondem à defesa excessiva da naturalidade quando em aquários de pequenas dimensões, onde o próprio espaço é factor limitativo para o bem estar dos seres vivos. Por outro lado, parece haver o esquecimento da parte dos seus defensores mais conservadores, de que um aquário pode estar agradavelmente decorado, mesmo seguindo todos os princípios apresentados anteriormente.

O Aquascaping


O aquascaping corresponde à procura da representação de ambientes naturais, emersos ou submersos, realísticos ou abstractos no interior dos 5 vidros do aquário com recurso a materiais inertes e plantas, sendo os peixes escolhidos de modo a completar a paisagem natural, ou como preciosa ajuda no combate às indesejadas algas. A fertilização, onde se inclui a injecção de CO2, não sendo obrigatória, é uma mais valia. A iluminação deve ser elevada de modo a suprir os requerimentos de todas as plantas presentes no aquário. O resultado é uma paisagem subaquática extremamente cativante e agradável à vista, onde os inertes e as plantas são o elemento de maior destaque.
Para o aquascaper, os seus aquários têm uma duração limitada, tentando-se atingir um objectivo e explorar o máximo de potencialidades de um layout, e quando estas se esgotam, há necessidade de recomeçar de novo, de modo a se conseguir testar novas ideias.
Um dos principais problemas deste tipo de aquários é o bem estar dos animais que pode ser posto em causa quando não há moderação e cuidado na fertilização. Também a luz é excessiva face ao normal nos habitats de origem dos habitantes do aquário. Ainda, a fuga excessiva ao carácter natural dos aquários, pela representação de elementos tipicamente terrestres de modo subaquático é um ponto fortemente alvo de ataque por parte dos defensores do NonScaping.

Fica então um quadro resumo para ajudar a sintetizar as diferentes opiniões:


Aquascaping
Nonscaping
Decoração
Essencial na composição.
Abrigo para os habitantes.
Plantas
Exigentes. Ajudam na composição com contraste de cores.  
Baixa manutenção. Ajudam no bem-estar dos peixes.
Peixes
Escolhidos em função do layout. Ajuda na limpeza.
Principal foco do aquário.
Iluminação
Elevada.
A essencial.
Fertilização
Importante.
Dispensável.
Duração das montagens
Curta a média.
Média a longa.
Resultado
Aquário fortemente decorativo e apelativo.
Aquário traçado em função das necessidades dos habitantes.


Concluindo, ambas as visões da aquariofilia se apresentam com vantagens em relação umas às outras, sendo que poucas pessoas se imaginam a fazer aquascaping pretendendo manter grandes ciclideos, e por outro lado um aquário que teve pouca atenção na fase de criação de estética tem menor valor decorativo. Nenhuma delas se encontra mais correcta que a outra, apenas se adaptam em função dos gostos, disponibilidade e pretensões do dono do aquário.